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Olhos da Sabedoria - Tribuna de Contagem - 1ª Quinzena de Abril 2001

Matéria publicada no jornal "Tribuna de Contagem" - 1ª Quinzena de Abril 2001

OLHOS DA SABEDORIA

Foto de Hytagiba Carneiro Ferreira

Anatê com seus pais, Juvercino Gonçalves de Moraes e Eleusa Resende Gonçalves.

 

Anatê desafia suas próprias limitações através da imaginação. Com perda total da visão, a sua técnica é uma dádiva que nasce e ganha forma dentro da sua alma, coma leveza dos no de uma criança.

Comemorando o trceiro ano de realizações, o Espaço Cultural Hilton/brasilton, Contagem, vem promovendo os artistas plásticos mineiros desde que Klaus Ziller, vindo de São Paulo, asssumiu Gerência Geral do Hotel e iniciou a parceria cultural com a Academia Brasileira de Arte, Cultura e História de São Paulo, que tem como diretor Samir Chelala. A "Exposição de Verão", aconteceu no período de 14 de fevereiro a 5 de março, com trabalhos realizados por artistas plásticos mineiros, alguns expondo pela primeira vez no Brasilton/Contagem, como é o caso de Anatê.

Há 10 anos, Anatê começou a pintar por hobby e nunca pensou pintar profissionalmente. Há 5 anos, sofreu um acidente. Como é diabética, no pós-operatório, devido a complicações da doença. iniciou um processo de diminuição da visão até a perda total. Com isso, ficou sem nenhuma atividade profissional, pedeu a profissão de decoradora, os projetos foram engavetados pela falta de condições para desenvolvê-los. Há um ano e meio, resolveu profissionalizar-se e dedicar-se à pintura.

ENTREVISTA

TC: Ana, como você consegue colocar na tela toda essa harmonia de cores nos seus quadros?

Anatê:" Eu não enxergo as cores, eu imagino as cores. Imagino um quadro, coloco-o na minha cabeça antes de executá-lo, passo para a tela aquilo que estou sentindo ao som de alguma música que estou ouvindo".

TC: Esta fonte inesgotável de beleza, vem de onde? Como você explica tudo isso?

Anatê: "Exatamente, eu deixo fluir tudo naturalmente dentro de mim imaginando o quadro que vou pintar".

TC: Você já expôs em outras galerias ou em espaços culturais?

Anatê: Não, eu recebi o convite do Brasilton, porque fui convidada para expor meus quadros no Vaticano em maio. Como as informações vazaram, então começaram a surgir convites para outros lugares, inclusive para São Paulo".

TC: Anatê, coo era sua convivência antes de ser reconhecida com artista? Anatê: "Ficava no anonimato e numa verdadeira obscuridade".

TC: Para encerrar, você gostaria de dizer mais alguma coisa?

Anatê: "Digo que a vida é muito bonita, basta apenas sabê-la viver".

 

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