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Presente de Luz e Cor - Estado de Minas - 08/10/2002

Matéria publicada no jornal "O Estado de Minas" em 08/10/2002 - Caderno de Cultura - pág. 2

PRESENTE DE LUZ E COR (Affonso de Souza)

Artista mineira portadora de deficiência visual, Anatê ganha medalha de ouro
em Certame Canadense e é saudada por sua sensibilidade especial.

Medalha de ouro do Canada Art Show realizado recentemente em Toronto, a pintora uberabense Anatê (Ana Teresa Resende Gonçalves), de 36 anos, deficiente visual, participou da disputa com três quadros: Lua, Lágrimas da Emoção e Folia de Reis. Entre 133 artistas selecionados na categoria moderna, o quadro que ficou em primeiro lugar foi Lua, que lhe valeu a medalha de ouro “master”. Anatê graduou-se em 1993 em decoração (nível superior), pela Fuma, atualmente Uemg. Antes, em 1991, fez curso de extensão em escultura com Amílcar de Castro. Além destes títulos, participou de inúmeras exposições, individuais e coletivas, em Minas e fora, até no exterior. Foi destaque em 2001, no VI Circuito Internacional de Arte Brasileira Galerie Expression Libre em Paris. No mesmo ano, na coletiva Arte e Cultura em Alto Mar, evento trinacional (Brasil, Argentina e Uruguai).
Sua vitória no Canadá entusiasmou muita gente. O crítico Roberto Williams Daniel escreveu: “Sua trajetória vem impregnada de muita luz, fato que lhe dá o domínio perfeito das cores, das sombras, das perspectivas e do foco. Um presente de luz e de cor”. Para a artista Marília Pierazoli, “Anatê é capaz de expressar tão profundo sentimento através do tato, criando primeiramente a textura, depois as cores e a composição. Suas obras levam a sonhos e, ao mesmo tempo, mostram a capacidade e a força do ser humano. Com paciente trabalho, criação e elaboração, a artista manifesta a pureza, a profundidade e a luz interior. Às vezes, há um mistério...”.

Explicando sua premiação e m Toronto, a pintora detalha: “A lua nos parece tão próxima e, na realidade, é tão distante. Assim, ela floresce na imaginação da pessoa. Mexe com o sentimento. Não respeita raça, não respeita situação e, por isso, permite à pessoa uma multiplicidade de sentimentos”.
Para a artista, que perdeu a vista no início da juventude, “o prêmio de Toronto assustou. Não o esperava, mas valeu. Foi muito amplo. Abriu minhas portas para o mundo, para os circuitos internacionais”. Ela festeja o sucesso e completa, esperançosa: “Agora, vou ficar vigiando a Bienal de Florença na Itália. O edital sai no fim do ano”.

Trabalho da pintora mineira Anatê, "Lua", vencedor do prêmio.

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