Medalha
de ouro do Canada Art Show realizado recentemente em Toronto, a
pintora uberabense Anatê (Ana Teresa Resende Gonçalves),
de 36 anos, deficiente visual, participou da disputa com três
quadros: Lua, Lágrimas da Emoção e Folia de
Reis. Entre 133 artistas selecionados na categoria moderna, o quadro
que ficou em primeiro lugar foi Lua, que lhe valeu a medalha de
ouro “master”. Anatê graduou-se em 1993 em decoração
(nível superior), pela Fuma, atualmente Uemg. Antes, em 1991,
fez curso de extensão em escultura com Amílcar de
Castro. Além destes títulos, participou de inúmeras
exposições, individuais e coletivas, em Minas e fora,
até no exterior. Foi destaque em 2001, no VI Circuito Internacional
de Arte Brasileira Galerie Expression Libre em Paris. No mesmo ano,
na coletiva Arte e Cultura em Alto Mar, evento trinacional (Brasil,
Argentina e Uruguai).
Sua vitória no Canadá entusiasmou muita gente. O crítico
Roberto Williams Daniel escreveu: “Sua trajetória vem
impregnada de muita luz, fato que lhe dá o domínio
perfeito das cores, das sombras, das perspectivas e do foco. Um
presente de luz e de cor”. Para a artista Marília Pierazoli,
“Anatê é capaz de expressar tão profundo
sentimento através do tato, criando primeiramente a textura,
depois as cores e a composição. Suas obras levam a
sonhos e, ao mesmo tempo, mostram a capacidade e a força
do ser humano. Com paciente trabalho, criação e elaboração,
a artista manifesta a pureza, a profundidade e a luz interior. Às
vezes, há um mistério...”.
Explicando sua premiação e m Toronto, a pintora detalha:
“A lua nos parece tão próxima e, na realidade,
é tão distante. Assim, ela floresce na imaginação
da pessoa. Mexe com o sentimento. Não respeita raça,
não respeita situação e, por isso, permite
à pessoa uma multiplicidade de sentimentos”.
Para a artista, que perdeu a vista no início da juventude,
“o prêmio de Toronto assustou. Não o esperava,
mas valeu. Foi muito amplo. Abriu minhas portas para o mundo, para
os circuitos internacionais”. Ela festeja o sucesso e completa,
esperançosa: “Agora, vou ficar vigiando a Bienal de
Florença na Itália. O edital sai no fim do ano”.